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“Enterro do Entrudo” mobiliza 16 colectividades e 300 pessoas



TODOS À RODA COM DINÂMICO ENVOLVIMENTO COLECTIVO


A preparação do espectáculo "Enterro do Entrudo" está a revelar-se um importante e inovador processo de partilha de experiências, entre os principais agentes de animação sociocultural locais.
Um dos objectivos deste projecto levado a cabo pelo Todos à Roda consiste, precisamente, na promoção do envolvimento activo e criativo de quem, directa ou indirectamente, está a contribuir para que este Carnaval a 19 de Fevereiro, na Guarda, seja uma autêntica festa do povo, com o povo e para o povo.
Com uma participação de mais de duas centenas de pessoas, 16 colectividades, este é, definitivamente, um processo museológico activo que valoriza a especificidade da nossa cultura tradicional mais fecunda. Ao introduzir-se uma linguagem mais contemporânea, faz-se sem desvirtuar a essência e autenticidade de um património cultural que nos identifica e mantém fora dessa vertigem da homogeneização das indústrias culturais da sociedade de massas.
Não agimos por modas, ou mera evocação pandega ou saudosista, mas por convicção de que é a partir da raiz que se podem e devem reconstruir manifestações de cariz artístico de grande valor contemporâneo.

Oficinas e ensaios nas colectividades
O entusiasmo contagiou os grupos, colectividades e agentes de acção locais, numa entrega voluntária pela inovação da proposta e oportunidade de aprendizagens diversas nas áreas das artes performativas e práticas de criação e construção de adereços, figurinos, a partir de materiais pobres e reciclados. Sempre numa perspectiva de recuperar, em cada terra, sinais de manifestações festivas pagãs carnavalescas.
A equipa coordenadora do projecto tem percorrido caminhos de descoberta, de festa, de entrega, de autenticidade, simplicidade e humildade, de gargalhadas, de novas amizades, num claro sinal da força e importância do movimento associativo para o desenvolvimento do meio rural.
Passamos em revista, por ordem alfabética, os principais pólos de trabalho activo na construção deste espectáculo, inspirado na tradição rural do "Enterro do Entrudo":

Aldeia do Bispo (Centro de Cultura de Desporto /Carpideiras)
Chorar a rir. Tem sido o mote dos trabalhos com este grupo em Aldeia do Bispo. Da ideia à entrega, aos ensaios de roupa e do choro que se quer estridente, contido, entusiástico, numa partilha entre a visceral e autêntica manifestação festiva desta gente e os actores que estão a dar corpo às personagens deste afamado enterro. O nosso padre bem tenta proferir a sua ladainha mas as mulheres, mais a avantajada matrafona, escangalham-se a rir, numa choradeira que acorda a aldeia.
- Temos de elevar os xailes!, define Teresa Oliveira.
- Vão mas é de mini-saia !, atiram os homens que assistem à trama, em lágrimas.
A alegre choradeira há-de continuar na pequena sede do grupo, nos dias que se seguem até 19.

Arrifana (Grupo de Cantares)
O grupo contagia pelo invulgar envolvimento intergeracional, com um trabalho de grande valor etnográfico pela recuperação do património musical.
A receptividade ao desafio do Todos à Roda foi exemplar, pela humildade e disponibilidade no envolvimento quer musical, quer ao nível da preparação da indumentária. E a feliz curiosidade da sua mascote, o Idalino (criado pelas mãos exímias da D. Idalina), um boneco de trapos a que vamos dar vida, enquanto personagem, no cortejo carnavalesco. Lá estão aos serões as mulheres da Arrifana a produzir três surpreendentes factos para outros três homens o vestirem, na folia da festança. Trapo após trapo, cores de encher o olho, mãos sábias e alegria do convívio, da partilha, pelo valor do que cada qual, com o seu saber, pode dar.

Famalicão da Serra (Centro Cultural - Co-fundador do Todos à Roda)
Famalicão tem sido inundado pela tristeza da perda. A perda de jovens que à vida colectiva tinham muito para dar. O Centro Cultural, a que pertenciam, cabe-lhe a tarefa de repor um caminho de reencontro com a alma colectiva, em memória dos que já deram, em homenagem viva aos que muito têm para dar.
Desta terra onde a tradição do Entrudo está mais enraizada, pelo entusiasmo e persistência espontânea dos "devotos das tabernas" - locais sagrados para o Entrudo -, o sentir colectivo está a retomar-se, lentamente, e o contributo para esta festa está a mexer.
Uma oficina permanente aos Sábados, na casa comunitária, cedida pela Junta de Freguesia, tem sido espaço do reencontro, da criação de máscaras, para todos os que hão-de erguer lanternas ao entrudo e transportá-lo ao julgamento final. Com o sempre entusiasta António José a dar o mote e a liderar a malta.
De esponja nascem os cabeçudos. As raparigas carpideiras irão juntar-se às de Aldeia do Bispo num intercâmbio salutar entre as práticas e os saberes de cada aldeia.
A fanfarra NemFáNemFum, projecto do CCF, assegurará a musicalidade fúnebre da ocasião e do Teatro da Vaca Fria, grupo de teatro da colectividade, há-de marcar a sua presença com um actor.

Guarda Aquilo-Teatro (co-fundador do Todos à Roda)
Copituna D'Oppidana
Centro Cultural (Rancho Folclórico)
Egitúnica
Estabelecimento Prisional

Associação Cultural Social e Recreativa da Sequeira

A cidade com as aldeias, e vice-versa, numa relação de enriquecimento colectivo e cultural que se pretende frutuoso.

Aquilo
Na Guarda, o Aquilo assegura a manutenção permanente da sede mais activa, centro de ensaios com actores principais, criação, produção e trabalho, donde parte a condução geral do projecto.
Ali se estão a produzir os principais figurinos dos actores com a centralidade da produção executiva, distribuição de materiais e tarefas para cada grupo, etc. O grupo assegura seis dos actores que vão dar corpo às personagens do cortejo (entrudo, matrafona, padre, acólitos e benzedeira) e muito da sua experiência e prática nos campos das artes de palco, entre outras.

Copituna
Festa sem estudantes, não é festa. O desafio foi aceite, de copo e alma. Levam as capas e guitarradas e prometem contagiar a folia. Do princípio ao fim, o mote é estar com o entrudo tanto na festa, partilhando a alegria de se estar vido, como no adeus.
Antes do grande final, assegurado pela magia do fogo a cargo do grupo alemão Antagon, na praça velha, cabe-lhes o protagonismo de contagiar o povo para surpresa da música final. Os trabalhos prosseguem na Tuna Académica do Instituto Politécnico da Guarda (IPG).

Egitúnica
Atrás de grandes rapazes, há sempre grandes raparigas. Neste caso, as avantajadas flausinas, mulheres provocação e que, por vocação do excesso, se intrometem na festa, querendo ser elas as estrelas da noite. O desafio à Egitúnica, tuna feminina do IPG, está a mexer com elas, e elas prometem fazer mexer a malta.

Estabelecimento Prisional
Numa postura de integração, o projecto Todos à Roda lançou o desafio ao estabelecimento prisional: que os reclusos pudessem participar na construção dos adereços e figurinos de alguns dos grupos do cortejo. Bem dito, bem feito.
O resultado é, para ambas as partes, muito interessante. Os rabos e peitos das flausinas, bem como saias e outros adereços, foram literalmente confeccionados naquele estabelecimento prisional, cujo interesse e abertura à iniciativa nos merece os mais rasgados elogios.

Associação Cultural Social e Recreativa da Sequeira
Nove mulheres activas, interessadas até ao tutano no envolvimento com o projecto. Das suas próprias mãos, após o desafio da coordenação, estão a nascer máscaras e roupas que as hão-de transformar-se no surpreendente grupo de benzedeiras ou bruxas. Vão ver, que a aparição promete.

Maçainhas (Grupo de Bombos – Os Beirões e Rancho Folclórico)
Uma aldeia, dois grupos a participar. Os Beirões, grupo de bombos, e Rancho Folclórico.
Os primeiros estão em pleno na preparação musical e na confecção das máscaras indicadas pela coordenação. Mais uma vez, consegue-se envolver as pessoas no processo, com a sua própria criatividade. O rufar dos bombos há-de inundar a cidade.
O segundo, igualmente entusiástico, vai surgir com elementos da identidade da terra, dos cobertores de papa às famosas campainhas.
O envolvimento está garantido.

Trinta (Raiz de Trinta - Associação Juvenil/co-fundador do Todos à Roda)
Mais uma oficina permanente com a originalidade e carácter inovador da produção de tecidos em tear tradicional, com a colaboração de um artesão local, confecção de figurinos para outros grupos.
O grupo de teatro da associação assegura um actor e vários figurantes, pastores chocalheiros e outras surpresas. Consegue-se, uma vez mais, o pleno do envolvimento intergeracional, como um dos mais relevantes processos de animação sociocultural comunitária, com colaborações de gente várias idades, inclusive de idosos do Centro de Dia local.

Rapoula (Grupo de Gaita de Beiços e povo)
As surpresas não param. Mais um caso de colaboração abnegada, entusiástica, de quem tem muita vontade de fazer pelo colectivo. Uma mais valia neste projecto, com a Associação Cultural e Recreativa local a mostrar uma invulgar disponibilidade para a festa. É com eles a carroça do vinho, o pipo, o vinho, os burros, cantadores de desgarrada, as panelas de ferro com o respectivo e muito gostoso entrudo, e povo para a algazarra... Genuínos, participativos, com as gaitas sempre à mão a puxar para a festa.

Vela (Associação Cultural e Desportiva - Coro)
Fazer andar o barco com a Vela é um prazer dos diabos. As viagens não têm sido fáceis (a facilidade não nos satisfaz) mas o prazer do encontro com tanta gente que aos serões rouba sossego é um regalo. Já que são coro, como coro vão surgir, de aparição e indumentária surpresa. Os trabalhos prosseguem, lá na Vela.

Videmonte (Grupo de Concertinas "Os Barrelas")
Da serra, a força, a vontade, a simplicidade a e a alegria dos homens das concertinas. Os Barrelas, assim se baptizaram pela remota origem dos seus antepassados, trazem os sons da folia, por excelência. O fado acompanhará desgarradas e outras musicalidades do povo. Mas o desafio foi mais além e a surpresa está na aparição de alguns dos genuínos pastores serranos, que em tempos de entrudo se intimavam uns aos outros, encapuçados, com chocalhos em atilho no corpo pelas frias e estreitas ruelas daquela aldeia.
As capas, os capotes, os chocalhos, os cajados e os naturais chamamentos dos animais prometem sensação.

:: Agenda

04/02/2008
Local: Famalicão da Serra
Enterro do Entrudo - Espectáculo cortejo nas ruas de Famalicão da Serra.
Cartaz
Informativo

19/02/2007
Local: Guarda
Enterro do Entrudo - Espectáculo cortejo nas ruas da Guarda.
Cartaz

13/01/2007
Local: Trinta
Oficina de construção de figurinos e utilização de tear manual para a construção de adereços.

13/01/2007
Local: Famalicão
Oficina de construção de máscaras e cabeçudos.

03/11/2006 a 05/11/2006
Local: Guarda, sede do Aquilo
Ateliers de espuma flexível de poliuretano e de moldes e múltiplos em borracha.
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